Do G1
O delegado Edson Moreira afirmou, nesta sexta-feira (30), que a morte de Eliza Samudio foi premeditada pelo goleiro Bruno de Souza. Segundo Moreira, ele usou o intervalo do Campeonato Brasileiro para a Copa da África do Sul para colocar em prática o plano de matar a jovem.
Eliza desapareceu no início de junho. Ela teve um relacionamento com Bruno e tentava provar, na Justiça, que ele era pai de seu filho. Para a polícia, ela é considerada morta. O inquérito sobre o caso foi concluído nesta sexta-feira. "Foi um trabalho de aproximadamente 40 dias, cinco delegados, 20 agentes, dez peritos", diz.
IMoreira inicia explicação sobre a investigação comandada por ele com a cronologia da gravidez de Eliza e a investigação do sequestro feita pela polícia do Rio de Janeiro. O delegado afirma que a execução do plano teve início em 4 de junho, dia anterior ao último jogo do Flamengo na competição nacional.
"Bruno a leva para o Rio de Janeiro no mês de maio. Isso já é planejamento de execução", diz Moreira. "Já estava tudo previamente planejado a partir de maio. Sabiam que teria o intervalo da Copa, começa a execução do crime."
Em 4 de junho, de acordo com Moreira, Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão) e o adolescente foram ao hotel em que Eliza estava hospedada. Macarrão teria dito que a levaria para encontrar Bruno. No trajeto, o menor sai do porta-malas e atinge Eliza com três coronhadas na cabeça. No embate, ambos ficam feridos.
Segundo a polícia, eles vão até a casa de Bruno no Rio de Janeiro. No local, Eliza é separada do filho, que fica sob os cuidados de Fernanda Gomes Castro, suposta amante do jogador. "Durante todo o tempo, o menor se comunica com Bruno, dizendo que o plano já estava em execução", afirma Moreira.
Segundo o delegado, Eliza foi mantida em um quarto da casa até Bruno voltar da concentração do Flamengo, após o jogo contra o Goiás. Bruno, Fernanda, Eliza, o bebê, Macarrão e o menor partem então para o sítio em Minas Gerais em dois carros.
Eles teriam parado em um motel, em Contagem (MG). Depois, Bruno e Fernanda vão buscar Sergio Rosa Sales (primo de Bruno) em Ribeirão das Neves (MG) e retornam para o estabelecimento.
"Eles efetuam o pagamento da hospedagem e vão até o sítio, onde deixam Eliza. E vão para o jogo do Time 100%, onde ficam até por volta de 2h do dia 7", afirma Moreira.
No dia 8, Fernanda e Macarrão voltam para o Rio de Janeiro para preparar a viagem do Time 100% e devolver um dos carros usados na viagem. "Aí está o x da questão.
Fica provada a premeditação, pois todo ano o time era levado para o Rio de Janeiro. Bruno aproveitou esse lance da Copa para voltar para Minas", diz.
No dia 9, o Macarrão voltou para Minas Gerais de avião. Nesse dia, Dayanne de Souza, mulher de Bruno, também teria ido ao sítio.
Segundo o delegado, em 10 de junho, por volta de 19h, Macarrão, o menor e Sérgio levam Eliza, a criança e uma mala até a região da Pampulha, em Belo Horizonte, onde encontram o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Paulista.
A jovem teria sido levada até a casa de Bola, em Vespasiano (MG), onde foi executada por asfixia. Bola pede para as pessoas saírem do recinto e, depois, volta com um saco onde estaria o corpo de Eliza, vai ao canil e, segundo o menor, atira uma das mãos aos cachorros.
"A criança é a prova material de que Eliza estava morta, porque ela jamais iria deixar a garantia de um futuro estável", diz Moreira.
Depoimento do menor
Os registros do GPS do carro de Bruno, que mostram o trajeto percorrido com Eliza já em Minas Gerais, seriam a primeira prova da materialidade indireta do crime, que está prevista no Código de Processo Penal.
Amostras de sangue do menor e de Eliza no interior do veículo, que mostram que houve luta entre os dois dentro do carro, seriam a segunda prova. O depoimento e a descrição feita pelo menor da morte de Eliza por asfixia seriam outras provas da materialidade indireta, de acordo com a análise do delegado.
"Claro que tendo uma pessoa experiente, que conhece e sabe como matar e sumir com um corpo, vai ser difícil achar esse corpo. Por isso optamos pela materialidade indireta. O menor mudou a versão várias vezes, mas é o único que estava do início ao fim do caso. A polícia calçou cientificamente o depoimento do menor. Não tem jeito de quebrar [o depoimento do menor]. É científico e coerente", afirma Moreira.