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Exposição

Sob os Paralelepípedos, a Praia

16/09/2009 10:56

Da assessoria

Posters, fotos e palavras de ordem revivem a memória dos acontecimentos de maio de 1968 em uma instalação que será aberta nesta quinta, dia 17, às 19 horas, no Zarinha Centro de Cultura. Criada por Alexandrino Filho, professor de literatura francesa da UFPB, Sob os Paralelepípedos, a Praia é composta por sete torres ilustradas por slogans, mais de 100 cartazes e mais de 100 imagens da época. Além disso, um carro incendiado e a simulação de barricadas em frente ao centro de cultura ajudam a resgatar o clima das ruas da capital francesa naqueles dias.

elembra através de mais de 100 fotos e cartazes as manifestações de Maio de 1968, em Paris, fundamental para a mudança comportamental que se viu naquele período no mundo.

Em 3 de maio daquele ano, começaram manifestações estudantis em Paris – a princípio, contra as normas que impediam os rapazes de estarem nos dormitórios femininos. A coisa ganhou corpo e conotações políticas e comportamentais maiores, ganhando no dia 10 a adesão de bancários, funcionários públicos, jornalistas, professores, comerciantes e sindicalistas. O enfrentamento com a polícia gerou a “noite das barricadas”. Os cineastas Jean-Luc Godard e François Truffaut forçaram ao interrupção do Festival de Cinema de Cannes em apoio aos estudantes e as imagens correram o mundo, influenciando protestos em vários países.

O título é um dos slogans que se usava na época, na linha do “Sejamos realistas, exijamos o impossível”. “‘Sob os paralelepípedos, a praia’ significa que debaixo do velho tem o novo”, explica Alexandrino Filho. “Que é preciso quebrar uma estrutura podre para fazer o novo surgir. Além disso, há a relação do paralelepípedo com o duro e a praia com a areia, o prazer do verão”. Ele também lembra que os paralelepípedos das ruas eram as armas dos manifestantes para enfrentar a polícia.

“Fiquei impressionado com a literatura contida nesses slogans”, conta o professor, que abre a exposição com uma conferência às 19 horas em que serão projetadas imagens da época, extraídas de um documentário. “São frases fortes que provocam reações igualmente fortes nas pessoas. O objetivo era provocar as pessoas,  sacudi-las, fazê-las pensar”.

A exposição foi apresentada pela primeira vez em maio do ano passado, no centro de vivência da UFPB. A lembrança é válida, para o professor. “Do ponto de vista eleitoral, o movimento perdeu. Mas foi vitorioso no sentido de que mexeu nas estruturas de uma sociedade tradicional, como a francesa. Foi uma explosão onde o jovem passava a ser um ator social”, diz ele.

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